Pular para o conteúdo
Edição 42 · Agosto 2026
Medicina que Transforma

Por que falar sobre saúde da mulher?

Por Dra. Mariana Amalia

Durante muitos anos, falar sobre saúde da mulher significava apenas fazer coleta de preventivo, exames de mama e orgãos genitais e alguns exames de sangue. Mas a mulher é muito mais complexa do que isso e seu cuidado também precisa ser.

Ao longo da vida, nosso corpo muda. Mudam os hormônios, metabolismo, composição corporal, qualidade do sono, disposição, saúde emocional, sexualidade e até a maneira como nos enxergamos. E se o corpo muda, a forma de cuidar dele também precisa mudar.

É justamente por isso que a mulher merece um cuidado integral.

O corpo feminino não é o mesmo aos 20, aos 40 ou aos 60

Existe uma tendência de normalizar os sintomas à medida que envelhecemos. A mulher começa a dormir mal, ganhar gordura abdominal, perder massa muscular, sentir cansaço, queda de libido, alterações de memória, irritabilidade, dores, ressecamento vaginal e escuta que “é da idade”.

Mas uma das minhas bandeiras é: Mulher NÃO pode se acostumar a viver mal.

Envelhecer é natural, mas isso não é sinônimo de viver mal.

Especialmente a partir dos 40 anos, as mudanças hormonais relacionadas ao climatério acontecem em todas as mulheres. É um período em que olhar apenas para um sintoma ou para um exame isolado não é suficiente.

Precisamos olhar para a mulher por inteiro.

É aqui que entra o cuidado da Medicina Integrativa

Minha visão da medicina parte de uma pergunta que considero fundamental: o que está por trás daquele sintoma?

Não olhamos apenas para a queixa que trouxe o paciente ao consultório. Investigamos como os sistemas do organismo estão funcionando e se relacionando.

Quando uma mulher me diz que está cansada, por exemplo, não quero apenas saber como aliviar o cansaço. Quero entender sua saúde hormonal, seu sono, alimentação, intestino, níveis de micronutrientes, metabolismo, inflamação, saúde emocional, composição corporal, atividade física e outros fatores que possam estar contribuindo para aquele quadro.

O organismo não funciona em departamentos independentes. Hormônios conversam com o cérebro. O intestino influencia diferentes processos metabólicos e imunológicos. O sono interfere no metabolismo. A massa muscular influencia diretamente a saúde. E aquilo que fazemos hoje ajuda a determinar como envelheceremos amanhã.

Não devemos esperar a doença aparecer para começar a cuidar da saúde

Talvez essa seja uma das maiores mudanças que precisamos fazer na medicina: sair de um modelo baseado apenas em tratar doenças já instaladas e avançar cada vez mais para um modelo de prevenção, acompanhamento e promoção de longevidade com qualidade.

Não basta perguntar quantos anos uma mulher quer viver.

Precisamos perguntar: como ela quer chegar aos 50, 60, 70, 80 anos?

Com autonomia? Força muscular? Boa memória? Ossos fortes? Independência? Sexualidade? Energia para viajar, trabalhar, conviver com a família e continuar realizando projetos?

Longevidade para mim, não significa simplesmente acrescentar anos à vida. Significa acrescentar vida aos anos.

Informação também é uma forma de cuidado

Quanto mais informação de qualidade, maior é sua capacidade de procurar ajuda no momento adequado e participar das decisões sobre sua própria saúde.

Foi por isso que escolhi dedicar grande parte do meu trabalho à educação em saúde.

A menopausa não precisa representar o início de uma fase de perdas. Com informação, prevenção e acompanhamento individualizado, ela pode marcar o início de uma etapa de maior consciência sobre o próprio corpo e sobre aquilo que queremos construir para as próximas décadas.

Costumo dizer que a Menopausa pode ser a MELHOR fase da vida da mulher — não porque todas passarão por ela sem dificuldades, mas porque hoje temos conhecimento e recursos para cuidar dessa transição de maneira muito mais completa.

O importante é compreender que cuidar da saúde não deve começar quando alguma coisa dá errado.

Deve começar quando decidimos assumir responsabilidade sobre a maneira como queremos viver e envelhecer.

É sobre isso que quero falar neste espaço: saúde integrativa e sem tabus. Hormônios, menopausa, sexualidade, metabolismo, intestino, saúde muscular e óssea, prevenção e longevidade — traduzindo conhecimento médico para a vida real.